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Prefeitura do Rio libera volta às ruas de 14 mil camelôs enquanto a maior parte do comércio segue fechada

Liberação do comércio ambulante não estava prevista na primeira fase de reabertura da cidade, mas foi incluída em edição extraordinária do Diário Oficial. Especialistas alertam que medida põe em risco vendedores e clientes.

Enquanto a maior parte do comércio carioca continua fechada, os 14 mil camelôs licenciados pela prefeitura foram liberados a retomar o trabalho nas ruas. Isso acontece enquanto o Rio de Janeiro segue registrando recorde de mortes por Covid-19. De acordo com o balanço divulgado nesta quarta-feira (3) pela Secretaria de Estado de Saúde, em 24 horas foram registradas 324 mortes em decorrência do coronavírus, chegando a 6.010 o total de mortos pela doença no estado. O recorde anterior havia sido de 256 óbitos em um dia.

Ambulantes sem máscaras desrespeitam também o distanciamento mínimo de 2 metros uns dos outros — Foto: TV Globo

A liberação do trabalho dos ambulantes não estava no primeiro decreto da prefeitura que trazia os detalhes do plano de reabertura gradual da economia na cidade. Porém, foi incluída em uma edição extraordinária do Diário Oficial do Município, publicada na terça-feira à noite.

No Centro de Campo Grande, camelôs ocupam as calçadas e se aglomeram em vários pontos — Foto: TV Globo

De acordo com o novo plano, os camelôs legalizados podem trabalhar sem restrições, desde que sigam o que a prefeitura chama de “regras de ouro” como, por exemplo, higienizar as mãos com álcool em gel a 70% e usar máscaras.

Veja como será a reabertura gradual do comércio, lazer e esportes no Rio

A dificuldade de fiscalizar o cumprimento das normas sanitárias adotadas pelos camelôs tem sido uma preocupação dos especialistas da área da saúde.

Para a médica infectologista Margateth Dalcomo, a medida coloca em risco a vida dos vendedores e de clientes.

“Colocar ambulantes nas ruas, um do lado do outro como eles costumam ficar, sem proteção adequada em detrimento de abrir as lojas de rua, que eventualmente poderiam ter um controle de entrada e de segurança mais organizados, me parece uma medida, de novo, incongruente e sem nenhum respaldo de cuidado com a vida dessas pessoas”, disse a médica.

Em Campo Grande, na Zona Oeste da cidade, o RJ1 flagrou muitos vendedores ambulantes, alguns muito perto uns dos outros. Também havia camelôs sem máscaras.

No centro, ao lado da Central do Brasil, havia vários camelôs aglomerados. Em outro ponto da Avenida Presidente Vargas também havia vários deles lado a lado. No Camelódromo da Uruguaiana, também no Centro, guardas municipais fecharam alguns boxes que estavam abertos. Em toda a região, havia muita gente circulando nas ruas.

Apesar dos flagrantes, o prefeito Marcelo Crivella negou, em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, que haja aglomeração de camelôs nas ruas. “Deu bagunça, vamos recuar. Fecha tudo. Agora, se nós tivermos consciência cívica, nós vamos entender que é preciso retornar aos poucos as nossas atividades porque, se não, o afastamento social vai trazer mais dano do que benefício”, afirmou o prefeito.

Nessa primeira fase de flexibilização do isolamento social estão autorizadas a abrir as lojas de móveis, decoração e concessionárias de carros. As lojas dos shoppings só vão poder abrir, com capacidade reduzida, na segunda fase, prevista para daqui a duas semanas. As lojas de rua só estão autorizadas a reabrir na fase três, com início previsto para o mês que vem.

A prefeitura disse que todos os boxes do camelódromo ainda não podem funcionar, porque nenhum deles é considerado serviço essencial. Declarou ainda que vem trabalhando de forma permanente para coibir aglomerações de ambulantes na cidade e que vai voltar às regiões mostradas na reportagem do RJ1.

Plano de retomada gradual

A Prefeitura do Rio dividiu em seis fases a retomada das atividades econômicas e culturais na cidade. A previsão é que cada fase dure 15 dias, o que dependerá da curva de contaminações pelo novo coronavírus.

Se não houver aumento expressivo dos casos de Covid-19 que comprometam a capacidade de leitos da rede de saúde da cidade, o plano de reabertura será concluído em agosto.

Veja abaixo as fases de reabertura no Rio:

Fase 1:

atividades esportivas em centros de treinamento

atividades esportivas nos calçadões

atividade aquática individual no mar (como natação ou surfe)

celebrações em igrejas (com protocolo de desinfecção)

lojas de móveis e decorações

concessionárias de automóveis

Na primeira fase, não serão permitidas atividades na faixa de areia, como o aluguel de barracas de praia ou as escolinhas de esportes. Saunas e piscinas continuam vedadas.

Fase 2

shoppings entre 12h e 20h, com restrições de movimentação

competições esportivas com portões fechados

Fase 3

todos os comércios, com restrição de circulação

bares e restaurantes abertos, com 50% da capacidade

academias abertas com agendamento e distanciamento

luta e dança, sem contato físico

atividades de crossfit

creches, desde que pais estejam trabalhando

escolas: quinto e nono ano, sem aglomeração

salões de beleza, tatuagem e estética, com restrições

praias e parques abertos, sem aluguel de cadeira e barraca

áreas de lazer

atividades culturais em espaço aberto, sem aglomeração

competições esportivas com um terço do público

Fase 4

Pré-escolas e turmas de primeiro e segundo ano

pontos turísticos com um terço da capacidade

atividade em espaço cultural fechado, com restrição de capacidade

Fase 5

diminuição de restrições de capacidade em quase todos setores (bares, restaurantes, estádios, cinemas, etc)

praias e parques abertos, sem aglomeração

Reabertura do terceiro e quarto ano nas escolas

Fase 6

escolas e universidades integralmente, sem aglomeração.

 

Fonte G1 Rio.

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